"Ratatatá"

     Acho que realmente sei que um livro é bom quando, ao final dele, fico com aquela agoniante sensação de desolamento, estupefata, incapaz de esboçar qualquer reação. É claro, como vou esboçar alguma reação se nenhuma das que conheço parecem ser dignas do tamanho sentimento que tenho? É assim que, após passar mais de 30 páginas em lágrimas ininterruptas, eu me senti com o final de Battle Royale. Terminei a leitura às 4h30 de uma madrugada, claramente muito após o horário que costumo dormir, mas eu simplesmente não conseguia parar até chegar ao fim.
     Pode parecer exagero, mas o desespero interno me tomou a ponto de deixar-me com o coração acelerado mesmo após o término. Já me senti assim com outras estórias, mas dá pra contar nos dedos de uma mão quando isso aconteceu com a leitura de apenas um livro - geralmente é ao fim de sagas. Mas é até compreensível, pois é um livro de 663 páginas e em mais de 600 a trama se passa no decorrer de apenas dois dias. Pois é, são seiscentas páginas para contar apenas dois dias. Livros menores que esse usam as páginas para contar o decorrer de anos, e ainda assim conseguem nos fazer apegar pelos personagens, imagina então quando se usa tantas páginas para tão poucos dias?
     E sabe o melhor? São seiscentas páginas contando sobre dois dias, mas a estória não torna-se enfadonha em absolutamente momento algum, e isso é fantástico.

     Enfim, deu para perceber como Battle Royale atingiu meus sentimentos, não é? Agora prometo que tentarei ser mais imparcial, mas não dou garantia de nada hahaha